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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Um (in)feliz natal.

Lojas abarrotadas, panetones e Jingle Bells anunciam: já é Natal na Leader Magazine.
Sempre gostei dessa época do ano, embora eu tenha perdido a conta de quantas vezes menti dizendo que tive um 25 de Dezembro maravilhoso, inclusive devido às decepções que sofri ainda na infância.

Não, eu não vou traduzir o que está escrito. Vá fazer um curso de Inglês!

Eu tinha 5 anos e estava participando daquelas festinhas de fim de ano da escola, com entregas de boletins aos pais, blá-blás dos professores e, claro, o bom velhinho entregando presentes para crianças que tenham sido boas (ou não, na maioria das vezes). É óbvio que, na verdade, eram os pais que davam os presentes aos diretores do colégio, que repassavam pra algum velho gordo, que os entregava para os pirralhos, a fim de que toda a encenação natalina acontecesse e perpetuasse a crença em ho-ho-hos e veadinhos (se bem que os veadinhos realmente existem). Eu não sabia disso.

Naquela época dinheiro fácil era raridade lá em casa, mas é óvni que eu não poderia deixar de sentar no colo do velho e ganhar meu presentinho. O 13º ainda não tinha saído e minha mãe, astuta e pimpona, me propôs a coisa mais triste pruma girina afoita por um vídeo-game: o acordo era que Papai Noel me entregasse uma barbie que brilhava no escuro e acendia luzes coloridas! "Tá mas qual o problema?", você muito esperto (a) me pergunta. Rá, o problema? O problema era que a barbie eu ganhara da minha avó no dia das Crianças!!! Mas eiiiiii, como assem? Por que minha mãe quem teria que dar o presente pra bosta do velho me dar? Por que ele mesmo não tiraria minha boneca do seu grande saco vermelho? Ma nem uma lembrancinha do tipo 'estive no Pólo Norte e lembrei-me de você'? Murchei e já fiquei cabreira.

Enfim, tive que participar daquele faz-de-conta miserávi... Fingi pras abiguinhas que nem sabia o que tinha naquele embrulho brega que combinava com minha blusa mais brega ainda. Pra completar meu êxtase frente às crianças ganhando um Nintendo 64, enquanto eu deveria me contentar com uma boneca usada, toda a esperança de ter um feliz natal se dissipou, tal como a fumaça da chaminé que o bom (?) velhinho nunca entrou...

Perto de me chamarem para a entrega do 'inesperado' brinquedo velho, eis que o viadinho da rena me diz:

- Ele é o meu pai!

- Né nada! - respondi confusa, porém decidida.

- É sim. Ele tá disfarçado de papai noel, não tá vendo a barba preta ali embaixo?!

Segurei o choro. Morria ali a boa menina ansiosa por um presente decente no final do ano. Nascia uma menina perversa e má, que até hoje tenta ter um natal feliz e destroi o sonho das criancinhas enganadas dizendo "PAPAI NOEL NÃO EXISTE!!!"

E pra quem não acredita, eis a prova da minha frustração:

Meu algoz pensando de lado "hahaha, acabei com essa mocreinha", eu decepcionada, o papai noel fajuto e meu presente brega e velho.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

O que não deveria ter sido escrito.

Nunca demonstrei descaradamente que estava a fim de alguém. Não acho legal uma mulher partir pra cima quando o assunto é macho. Mas isso fica prum outro post.
O negócio é que sou astuta e levo comigo essa característica desde bem novinha.
Eu tinha 11 anos e gostava de um menino tímido que estudava comigo. Ele era bonitchenho, se comparado ao padrão de beleza que havia na minha sala de aula. Meu bem, em terra de cego, quem tem um olho é caolho rei, e ele não tinha só 1 olho. Ele tinha dois. E dois olhos bem verdes, o que contribui para que o seu reinado na classe fosse praticamente absoluto.
Como me mantinha distante, quase nunca nos falávamos. Só o essencial e blá blá blá.
Até que um dia tivemos que sentar em dupla pra fazermos um trabalho qualquer, típico de professores que não querem fazer nada e nos mandam debater sobre meio ambiente e racismo.
Ah, magavilha! Aquela era a minha oportunidade. Sem perder a pose, mandei um papo fajuto e ridículo que mostra minha sagacidade disfarçada:

- Foi você que me telefonou ontem?
- Não. Por quê?
- É, não sei. Minha mãe disse que um garoto ligou lá pra casa ontem e disse que era da minha sala. Já perguntei pros outros meninos, mas também disseram que não... Estranho. - Encenei.
- Não fui mesmo. Eu nem tenho o seu tel...
[Bingo!!! Era o que eu queria!]

- É, eu imaginei.
- Mas então, você poderia me dar seu número?
- Sim. - respondi meio hesitante e ele anotou meu telefone.

... Até hoje eu espero ele me ligar...

Ai cruzes, ele morreu faz uns 5 anos!!! Mas que humor-negro!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

O troco.

Mês passado indo de busão pro jobs, paguei 20 estalecas numa passagem de R$ 3,65, o que gera uma certa ira, principalmente, se isso for às 9 da madruga. Eis que a trocadora me olha com aquela cara de forévis (viu, mãe, sem palavrão) e me dá R$ 16 e brau de volta.
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Tipos que sou boa em matemática, mas confundir-se com a conta "20 - 3,65" é até aceitável quando se está tentando encontrar equilíbrio naquele saculejamento todo do ônibus, com uma bolsa (dizer que é pesada seria redundante, porque a bolsa é de mulher, ou seja, tem batons, perfumes, guarda-chuva e pedra pra me defender) numa mão, um Vade-Mecum (Vá de quê, fessôra? - Vá de jegue, sua anta) na outra e uma sacola com sandália rasteirinha [em caso do Scarpin começar a esmagar meus pés] na outra. Sim tenho 3 mãos.
Daí que fiquei quase a viagem inteira conferindo o troco e perguntei até que simpaticamente:

- Oi. Quanto é a passagI meRmo?
- 3,65 - ela mugiu.
- Ih, acho que você me deu a men....
- Dei 16,35 , colega. - ela interrompeu - Exatamente, o que você deve receber!

Como estava de bem com a vida, apenas me senti uma mula ergui minha sobrancelha esquerda, inclinei ligeriamente a cabeça pro lado e lancei sobre ela um olhar tão maquiavélico, que qualquer diretor de novela que me visse naquele momento me contrataria fácEl.
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E eis que hoje foi o meu dia! Bem de manhã, para meu deleite, peguei o ônibus dela e quando a avistei decidi não pagar a passagem com a quantia certa: passei pela roleta e saquei uma retumbante nota de 50 contos! Ahhh. Finalmente aquele era o meu momento!
A candanga me olhou com a quela cara de forévis, mas dessa vez um forévis muito enfurecido, e disse:

-Pô, você não tem nota menor?
- Não, querida.
- Não tenho troco pra 50.
- Ahh, sinto muito. Cê deve saber melhor do que eu que "o trocador é obrigado a dar até 20 vezes o valor da passagem". Ou então fico sem pagar, né, já passei pela roleta. - falei com ar de invicta.

Ela teve de pedir pro motorista parar, desceu, foi pruma birosca e finalmente trocou a nota, em meio a gritos de "vamo logo cobradora". Voltou bufando feito um búfalo (bill) e quase quebra minha mão entregando o fazmerrir.

Mas eu ainda não estava satisfeita e então, para fechar com chave de ouro, repeti:

- Oi. Quanto é a passagI meRmo?
- 3,65
- Ih, acho que você me deu a m...
- 46,35. Exatamente, o que você deve receber!
- Poi zé, mas é que você me deu a mais, queriiida! - E balancei uma nota de 5 reais que fingi que havia sobrado. - Mas só de sacanagI não vou te devolver, porque isso é exatamente o que eu devo receber por ter que aturar sua falta de educação! [Tá, eu confesso que parei no "não vou te devolver" porque a fúria do momento me impediu de fazê-lo...]

Peeen! Fim de round! Consegui realizar a paradoxal tarefa de me vingar dando troco, sem devolver o troco. Rá. Verônica, atriz, e o terror das trocadoras.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

E esse cabelo duro, hem?


Na boUa cara, tem gente que pede pra ser esculachado. Tipos que eu tô na minha, quieta, sem me meter na porreta da vida de ninguém, e branquim vem encher a mierda dos meus dois sacos? Ah, tománoforévis,véi.
Já vou logo avisando presse povo que gosta de ser o engraçadinho da turma: essa carinha de anjo que mantenho com 4kg de Renew por dia dão lugar a uma criatura perversa capaz de pisar em fucin de um sem encostar, se quer, a ponta dos sapatos nº39!

Adentro eu num recinto chei de jovenzinhos deixando a labuta, na época em que eu ainda não passava henê fazia os diversos sabores de escovas para alisar o hair, e eis que uma palhaça, que até então era minha abiga de estágio, lá no fundo muge grita:

- Aí, Vevê, tá na hora de fazer uma escovinha aí, hem.

Eis que o espírito de Capitão Nascimento quase baixa em mim e juro que me seguro para não pegar um cabo de vassoura, mas mantenho a finesse e respondo:

- Ah, sI liga, garota! Isso é recalque, só porque você tem esse aplique ridículo no cabelo! Cê pensa o quê? Todo mundo repara essa raiz crespa com um chumaço de meio metro de cabelo liso e de cor diferente! Sem contar o cheiro dessa bagaça porque, né, ficar 1 semana sem lavar esta coisa morta aí dá uma catinga dos inferno!

O silêncio paira e, de repente [ó, "de repente" é separado, heeem, suas anta], eu, que até então era a vítima, me torno a vilã da história. Pó de Pode isso? Desde então nunca mais nos falamos. Ah, seferrá.
Qué dizê, nem sou de falar mal de cabelo, nem nada de ninguém, mas, pô, se "pedir", catuco logo a ferida, saca?
Joguem pedra em mim, seus corno, e cês vão ver na prática os ditados "quem fala o que quer ouve o que não quer" e "perco o amigo, mas não perco a moral" [esse último inventado por mim e o mais recente estilo de vida adotado]. E tenho dito.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

A inveja e suas loucuras.


Sabe comé quié a maioria das mulheres, né?! Não pode chegar outra "carne no pedaço" e logo os olhares tortos e comentários "não gostei de fulana" começam a brotar de seus jardins férteis da inveja. E para tanto não precisa de tanto: basta ser linda como eu comunicativa, simpática, fazer as unhas e andar com a postura ereta e tcharan! Eis a receita infalível para se tornar a mais nova Geni do pedaço.
E eu, como uma boa adolescente besta, não era diferente... Sim, admito que já fiz parte do rol de meninas que excluem as outras por verem nelas uma potencial concorrente.
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No auge dos 14 anos, menina mei popularzinha na igreja, que falava com todo o mundo, ria pra todo mundo e que até então, conseguia de ser o centro (ou perto do centro) das atenções, tenho o título de "Miss Simpatia" inesperadamente arrancado numa tarde de sábado qualquer.
Havia chegado toda empolgada e pimpante, já esperando a atenção de costume, mas, para minha tristeza, se tivesse entrado a mulher invisível naquele lugar daria no mesmo.
Autoestima zero, procuro o motivo de total desprezo com a minha ilustre pessoa e eureka!
Todos faziam círculo em volta de uma garota de uns 20 anos, morena e baixinha. Não conseguia ver além disso, pois a quantidade de pessoas me impedia tal visão dos inferno.
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Não bastasse todo o desprezo por mim lançado sobre a tal garota durante all day, não é que a sirigaita teve a cara-de-pau de vir puxar assunto comigo? Poi zé. Típica pessoa efusiva, que não tem uma gota de medo de ser mal tratada por alguém que não vai com a sua cara. [O que representa realmiente uma grande ameaça para as mais fúteis populares]

-Oi, qual seu nome? Meu nome é Sônia.

"Hum, sujeitinha descarada. Além de roubar meus fãs, ainda é toda saidinha, já vai logo se apresentando", pensei. Minha ira devastadora só me permitiu responder, friamente, com os lábios cerrados:

- Verônica.

Não suportando mais a ideia de que uma garota recém chegada no lugar fosse mais interessante do que eu, a ponto de apagar todo o brilho de minha existência, fui embora revoltada, me perguntando o que ela teria assim de tão legal.

Ainda sem encontrar a resposta, noutro dia avisto Sônia no ponto de ônibus. Maldita coincidência! Desejei empurrá-la na estrada E lá estava ela, como sempre, chamando muito mais atenção do que eu, passeando com sua roupa azul-caneta.

E assim foi minha tortura de adolescente durante alguns outros dias. E, ao contrário das pessoas, que falavam e esboçavam um sorriso quando passavam por Sônia, eu fazia questão de nem, se quer, olhar pra ela.

Porém um belo dia resolvi (mudar e fazer tudo que eu queria fazeer) reparar mais nela, até porque precisava saber de uma vez por todas qual era a fórmula para tanta popularidade. Daí percebi que além de gesticular muito, ela andava zigzagueante, parecendo sem rumo.
Embora tentasse me esconder, a danada me viu e disse "Oi, qual seu nome? Meu nome é Sônia." Estranhei.

Todo vez que me via ela se apresentava do mesmo jeito, até o ponto de me reconhecer, pegar minhas mãos e elogiar as minhas unhas. Assim ela fazia com todos.

Foi aí que me senti bem mais aliviada e uma completa idiota: quando deixei minha inveja de lado, entendi que a razão dela ser assim tão querida era que, na verdade, ela sofria de sérios transtornos mentais... Naquele momento, eu juro, cheguei a duvidar se eles eram mesmo mais graves do que os meus.

A partir de então nunca mais quis ser popular, porque aí descobri que taiss sofrem de graves distúrbios psicológicos. Ráaa.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

A garota mais bonita do que eu.

Quando criança eu fazia muito sucesso (Naaassa. E ainda faço, beiber), principalmente com a pirralhada da escola: recebia várias propostas em papeizinhos de cadernos de brochura perguntando "Você quer namorar comigo? ( ) Sim ( ) Não", além de todos os meninos da turma escolherem a mim para ser dama na apresentação da quadrilha, e et cétera.
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Como em todo início de ano letivo, eu via o primeiro dia de aula como 'o evento', afinal, como dizem, a primeira impressão é a que fica e eu não queria passar despercebida pelo novos abiguinhos. Ahh, tá pensando o quê? Desde girina já estava inserida nessa competição feminina de chamar atenção dos girininhos.
Po-o-rém, eis que num fatídico dia, postura ereta e sentada de pernas cruzadas, olho a minha volta e, como asseeem!? Avisto uma menina mais bonita do que eu! E ela sabia disso. E fazia questão de ser a mais metida também.
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CRaro que depois dela, nem conto mais quantas fêmeas mar beautiful já cruzaram meu caminho e não tô nem aí mais pra isso há tempos. Entretanto, ela foi a primeira [e única] rival da minha vida. Ficou marcada forever and ever. Ela quem roubou de mim toda a atenção que antes SÓ eu era detentora. Snif snif.
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Felizmente aquele era o meu último ano no colégio e, eu poderia, então, retomar a predominância da beleza infantil em outra escuela. Até que, peeen! Não é que a tal da fulana foi estudar justamente no mesmo lugar que eu?
Pior: ela estava ainda mais bonita, tinha peitinho e tudo. Aí não teve pra ninguém. Ela realmente tinha se tornado a sapa-rainha!
Embora eu estivesse naquela fase de menina-quase-moça-magrela-feinha-com-dentes-de-coelho, até que eu ainda era requisitada, mas os garotos mais bonitos sempre estavam afim da fulaninha. Quanto a mim, só me restavam os bonitinhos e alguns sapos-bois.
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Hoje, 12 anos depois, eu a vi novamente. Disfarcei antipatia com falta de atenção e passei direto. Torci o pescoço para ver se sua buzanfa estava maior que a minha e confesso que fiquei feliz ao constatar que não. Ela até continua bonita, mas permanece com aquele jeito "sem-graça", menina que quase não fala.
Obviamente que toda aquela babaquice de querer ser a mais bonita já passou há anos luz, mas creio que caso estudássemos juntas novamente, não teríamos uma disputa [travada por mim mesma] tão desleal, pois minha fase de menina-moça-dentes-de-coelho já passou faz tempo, beiber. (tá, parei)
Ela pode até ser bonitchenha, mas não chama mais tanta atenção assim. O que mais tem nesse zoológico é mulher bonita. Mas não basta isso. Tem que ter borogodó, meu bem. Ela não tem.

domingo, 25 de abril de 2010

Quando eu quis matar Jéssica.

O homem, por natureza, nutre desejos ou simples pensamentos, lá no mais recôndito do seu ser, de realizar coisas que, se descobertas, lhe renderiam duras críticas. Desde as curiosidades mórbidas até as vontades de esganar alguém, todos já tivemos um momento de "Deus me perdoe!".
Ah, vá! Vão me dizer que nunca pensaram "minha vingança será maligna"?
Seus hipócritas, vocês nunca sentiram vontade de aniquilar ninguém, num momento de fúria? Nunca desejaram que um professor morresse no dia da sua prova ou que um acidente acontecesse só para você ter uma desculpa que justificasse seu atraso no trabalho?
Pois bem. Isso não faz de vocês seres psicopatas...


Discordando de Rousseau ("o homem nasce bom, a sociedade que o corrompe"), vejo que o apreço pelo mal na verdade nos acompanha desde girinos. Cabe à sociedade, com suas regras e ideologias (ideologia, eu quero uma pra viveeer), limitar o homem e não permití-lo fazer tudo aquilo que seu "instinto selvagem" o impulsiona. E, a fim de frearem estes súbitos desejos de fazermos o mal, estão aí os grandes provérbios, parábolas com moral da história e bons ensinamentos educando nossas pérfidas mentes... Qui bón.

"A vingança nunca é plena, mata a alma e envenena."

Pirralha lá pros 3 anos, já tinha um comportamento complicado, devido às oscilações entre momentos de relevante ternura e simpatia, e pensamentos maquiavélicos de vingança e rebeldia. (É, eu queria mesmo rimar.)
Eram sórdidos planos malignos, fortemente incentivados pelos desenhos "infantis", os quais sempre têm a bruxa malvada que prepara poções mágicas para transformar em lagarta, aqueles que teimam em atrapalhar o seu caminho.
Além de beliscar um primo de colo e fingir que não era eu, tirar meleca do nariz da minha prima e colocar em sua boca, empurrar da cadeira uma abiguinha que queria ficar grudada em mim, injustiçar Joãozinho, enforcar uma coleguinha que não queria me emprestar seu brinquedo e et coetera, vislumbro o auge da minha maldade pueril quando tramei contra Jéssica.

Ela tinha dentes tortos, era loirinha e esquelética. Mas era muito esquelética, tadinha. Ela me fez algo tão ruim, mas tão ruim, que fomentou em mim o desejo de bolar um plano realmente cruel, capaz de eliminá-la, para sempre, da minha vida...
Sabendo-se bem da índole que eu tinha, é bem provável que eu tenha me irritado pelo fato dela não ter levado o biscoito presuntinho que seria recheio do nosso hambúrguer de fandangos que faríamos no recreio. Eram nossas primeiras tentativas de picnic, poxa... Ou, quem sabe, algum garoto bonitchenho por quem eu nutria um amor estava de olho nela. Hum, logo por aquela magricela!

Decidida, então, a por em prática de uma vez por todas tudo o que se passava na minha mente, peguei imediatamente uma bala dura e verde que estava no meu bolso há dias, tirei-a do pRástico e a esfreguei sofregamente no chão. Muito. Até ficar arranhada e preta.
Meus coleguinhas, assustados, perguntavam-me o motivo de tanta convicção em se esfregar uma bala de menta e não, simplesmente, enfiá-la logo na boca. Eu não respondia. Apenas sorria.
Embalei-a cuidadosamente de volta.
Como cresci ouvindo que não devíamos comer nada que estivesse no chão por causa dos micróbios, julguei poder, enfim, matá-la se lhe desse a bala suja.
Procurei a esquelética e ofereci-lhe o doce, tal como a serpente ofereceu a maçã a Eva e Adão. (viva o cacófatooo!)
Talvez por já conhecer bem a mim e os meus planos, ela apenas olhou nos meus olhos e disse que não. Sorte a dela...
Mas, por que ela não aceitou??? E se esse fosse um pedido de "vamos ficar de bEIn?"
Isso só aumentou a minha raiva, que durou mais uns 2 dias.
Ignorei-a em todo esse tempo e já não prestava mais atenção nas aulas, maquinando um plano B.
Como na maioria das minhas relações desfeitas, ela quem correu atrás de mim e voltamos a ser abigas.
Toda a fúria foi embora e deu lugar ao amor e à benevolência.
Cedi.
E retornamos ao mesmo ciclo vicioso de alegrias-discórdias-planos malignos...
Mudamos de escola. Ela sobreviveu a mim.
Mas até hoje, volta e meia, me pego sentindo um súbito desejo de oferecer balas por aí...

quarta-feira, 17 de março de 2010

Eu e o Feijão.


Vi a imagem acima lá no Kibeloco e me inspirei em discorrer sobre o que me aconteceu essa semana...

Como não tinha água, fomos recomendados a comer no "restaurante" que fica logo em frente à passarela 03 da Av. Brasil, e lá fomos, ali em Benfica na Rua Bella.
Pedi um PF, pois sabia do tamanho da minha fome.
A mulher já começou errado ao colocar, sem pestanejar, o feijão em cima do arroz! Bleh, pode parecer frescura, mas pra mim, feijão não é em cima ou em baixo, "é-de-ladin din din din". Já fiquei meio cabreira. Mas zaz.

Todos comidos, e após horas e horas de mastigações lentas e intermináveis, sinto um catucão no braço. Talvez, esperando uma resposta
favorável ao estabelecimento mas que, concomitantemente, explique o motivo de tanto feijão rejeitado no prato, eis que a infeliz me pergunta:

- "Vem cá, você que não come muito feijão ou ele que não estava bom?"

Eu, sem nenhuma maldade, apenas seguindo o lema de "sinceridade sempre", repondo:

- "Não, ele que não estava muito bom mesmo..."

- "Ah, então quer dizer que feijão bem feito você não gosta e mal feito você gosta?"

Prontamente ergo meus olhos e avisto aquela criatura dentuça e rechonchuda com a mão na cintura e, para minha confusão, noto um sorriso, talvez provocado pelos dentes protuberantes. Eu bem que poderia ter respondido "é, seu feijão é tão bem feito que tem gosto de água suja", ou "ah, vai se ferrar! Não te devo satisfação nenhuma, sua motherfucker", porém, nas minhas eternas educação e serenidade apenas sorri.

Sim, não dei piti, não desci do salto, nem criei constrangimento aos meus colegas de trabalho... Sorri, fingindo entender que aquilo tudo não passava de uma brincadeira.

Ela me deu troco a mais, mas não devolvi por causa de sua arrogância.

Saí rebolativa e mexendo os cabelos.

Atravessamos a passarela gargalhando.

Espalhei pra todo mundo do trabalho que o feijão de lá é ruim!

E continuo a espalhar até o fim da minha vida, perpetuamente, ever and ever: não comam no Ki Delícia da Rua Bella!
P.s.: A imagem do prato é minha mermo.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Joãozinho.

Não, este não é um post de piada daquela famosa criança pentelha que sempre se dá bem no final da história, cujo cenário de peripécias, geralmente, é a escola. (Já repararam que é sempre o tal de Joãozinho e a professora? Coitada!).
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Enfim. Hoje, ao lembrar-me dos possíveis indícios de Tricotilomania na velha infância ("Você é assim, um sonho pra mim, e quando não te vejo..."), como já citei num post aqui, inevitavelmente me veio à mente a figura, há muito esquecida, raquítica, catarrenta e melancólica de Joãzinho.
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Joãozinho estudou comigo no Jardim de Infância. Não me recordo de muitas coisas sobre ele. A única imagem que me lembro é a de um menino com a cabeça grande, magro e afrodescendente, me olhando com jabuticabas esbugalhadas e uma coriza branca escorrendo de seu nariz. (Aquele "Menino Marrom" do Ziraldo é a cópia dele, na versão risonha!)
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Minha mãe percebeu que algo estranho havia em mim. Eu sentia algumas dores quando ela me dava banho... Ela me perguntou se eu ia com garotos (homens, rapazes, idosos e afins) quando eu ia no banheiro da escola. Sabe o que respondi?
"Sim, mamãe. Com o Joãozinho".
Pura mentira. Eu quem era a culpada das minhas dores. E a tricotilomania está intimamente ligada a isso... (Fiquem na curiosidade, hehe)
No outro dia me lembro da Tia Neuza, a diretora da escola, chamando o pobre menino em sua sala. E somente.
Não me vem à memória mais nada: se eu e ele nos falamos depois, se ele foi expulso, se fomos sabatinados, nada!
A única coisa da qual me recordo é que até hoje ninguém sabe a verdade, além do rostinho injustiçado e espantado de Joãozinho olhando para mim...
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Eu na época que estudei com o infeliz do Jãozinho...
"Ahhh, mais que menininha mais pura, mais angelical, mais doce! Ohhh, que cuticuti... "
Que nada! Esta carinha de bebê esconde, na verdade, uma criança pérfida e maquiavélica!