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terça-feira, 19 de outubro de 2010

A vingança vem a cavalo de carro.

Comprei Tirei a carteira de habilitação há 6 meses, tenho carro há 4 e junte-se a isso o fato deu ser mulher. A consequência disso? Covardia da parte dos homens, algumas "fechadas" dos veículos maiores e... "perigo constante é o meu ovo"!!!
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Estava eu dirigindo faceira e pimpante, quando um ônibus começa a me fechar, embora minhas buzinadas ininterruptas anunciassem que a preferência era minha. Eu resmungava, buzinava muito meRmo (coisa no trânsito que particularmente faço muito bem, obrigada. Rá), mas a porreta do ônibus continuava sua trajetória assassina em nossa direção e se não morrêssemos com aquele monstro, no mínimo, meu carro o faria.
Ele venceu o primeiro round e passou a minha frente. Ele não sabia com quem estava mexendo!
Segundos depois, num semáforo, o infeliz me fechou de novo, o que despertou meu instinto vingativo, que há muito eu lutava pra deixar adormecido.
O sinal abriu e deu-se início a corrida para o lado esquerdo do busão. O plano? Jogarmos qualquer coisa semelhante a uma pedra no "piloto", mas no momento só vimos uma garrafa de vidro no carro. Poxa, não era pra matarmos o cara, né, afinal, ainda estou com a carteira provisória... Ele foi mais rápido e nós siferremo.

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Alguns quilômetros a frente, já desesperançados, avistamos o tal ônibus parado no acostamento! Desacelerei e parei bem ao lado do motorista.
Meu namô, o psicolouco, se debruçou na janela, pegou uma garrafa vazia de água, e a adrenalina não me permitia olhar para o lado, apenas para frente, enquanto pensava que deveria ser ágil para “fugir” depois da nossa vingança-pet. "Vai que ele vem correndo atrás da gente?"
Adorei ouvir o barulho que a garrafa fez ao tocar em sua cabeça e para completar o feito heroico não somente fugi, mas canteu pneu, mano!

Gritamos de alegria, exultantes:
- E aí, amoooor, acertou nele?
- Sim, foi diretinho na careca dele! (...)
- Uhuuuuuuuuuuuul!
- (...) só não sei se era ele mesmo, mas que acertei, isso acertei!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

O troco.

Mês passado indo de busão pro jobs, paguei 20 estalecas numa passagem de R$ 3,65, o que gera uma certa ira, principalmente, se isso for às 9 da madruga. Eis que a trocadora me olha com aquela cara de forévis (viu, mãe, sem palavrão) e me dá R$ 16 e brau de volta.
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Tipos que sou boa em matemática, mas confundir-se com a conta "20 - 3,65" é até aceitável quando se está tentando encontrar equilíbrio naquele saculejamento todo do ônibus, com uma bolsa (dizer que é pesada seria redundante, porque a bolsa é de mulher, ou seja, tem batons, perfumes, guarda-chuva e pedra pra me defender) numa mão, um Vade-Mecum (Vá de quê, fessôra? - Vá de jegue, sua anta) na outra e uma sacola com sandália rasteirinha [em caso do Scarpin começar a esmagar meus pés] na outra. Sim tenho 3 mãos.
Daí que fiquei quase a viagem inteira conferindo o troco e perguntei até que simpaticamente:

- Oi. Quanto é a passagI meRmo?
- 3,65 - ela mugiu.
- Ih, acho que você me deu a men....
- Dei 16,35 , colega. - ela interrompeu - Exatamente, o que você deve receber!

Como estava de bem com a vida, apenas me senti uma mula ergui minha sobrancelha esquerda, inclinei ligeriamente a cabeça pro lado e lancei sobre ela um olhar tão maquiavélico, que qualquer diretor de novela que me visse naquele momento me contrataria fácEl.
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E eis que hoje foi o meu dia! Bem de manhã, para meu deleite, peguei o ônibus dela e quando a avistei decidi não pagar a passagem com a quantia certa: passei pela roleta e saquei uma retumbante nota de 50 contos! Ahhh. Finalmente aquele era o meu momento!
A candanga me olhou com a quela cara de forévis, mas dessa vez um forévis muito enfurecido, e disse:

-Pô, você não tem nota menor?
- Não, querida.
- Não tenho troco pra 50.
- Ahh, sinto muito. Cê deve saber melhor do que eu que "o trocador é obrigado a dar até 20 vezes o valor da passagem". Ou então fico sem pagar, né, já passei pela roleta. - falei com ar de invicta.

Ela teve de pedir pro motorista parar, desceu, foi pruma birosca e finalmente trocou a nota, em meio a gritos de "vamo logo cobradora". Voltou bufando feito um búfalo (bill) e quase quebra minha mão entregando o fazmerrir.

Mas eu ainda não estava satisfeita e então, para fechar com chave de ouro, repeti:

- Oi. Quanto é a passagI meRmo?
- 3,65
- Ih, acho que você me deu a m...
- 46,35. Exatamente, o que você deve receber!
- Poi zé, mas é que você me deu a mais, queriiida! - E balancei uma nota de 5 reais que fingi que havia sobrado. - Mas só de sacanagI não vou te devolver, porque isso é exatamente o que eu devo receber por ter que aturar sua falta de educação! [Tá, eu confesso que parei no "não vou te devolver" porque a fúria do momento me impediu de fazê-lo...]

Peeen! Fim de round! Consegui realizar a paradoxal tarefa de me vingar dando troco, sem devolver o troco. Rá. Verônica, atriz, e o terror das trocadoras.

domingo, 25 de abril de 2010

Quando eu quis matar Jéssica.

O homem, por natureza, nutre desejos ou simples pensamentos, lá no mais recôndito do seu ser, de realizar coisas que, se descobertas, lhe renderiam duras críticas. Desde as curiosidades mórbidas até as vontades de esganar alguém, todos já tivemos um momento de "Deus me perdoe!".
Ah, vá! Vão me dizer que nunca pensaram "minha vingança será maligna"?
Seus hipócritas, vocês nunca sentiram vontade de aniquilar ninguém, num momento de fúria? Nunca desejaram que um professor morresse no dia da sua prova ou que um acidente acontecesse só para você ter uma desculpa que justificasse seu atraso no trabalho?
Pois bem. Isso não faz de vocês seres psicopatas...


Discordando de Rousseau ("o homem nasce bom, a sociedade que o corrompe"), vejo que o apreço pelo mal na verdade nos acompanha desde girinos. Cabe à sociedade, com suas regras e ideologias (ideologia, eu quero uma pra viveeer), limitar o homem e não permití-lo fazer tudo aquilo que seu "instinto selvagem" o impulsiona. E, a fim de frearem estes súbitos desejos de fazermos o mal, estão aí os grandes provérbios, parábolas com moral da história e bons ensinamentos educando nossas pérfidas mentes... Qui bón.

"A vingança nunca é plena, mata a alma e envenena."

Pirralha lá pros 3 anos, já tinha um comportamento complicado, devido às oscilações entre momentos de relevante ternura e simpatia, e pensamentos maquiavélicos de vingança e rebeldia. (É, eu queria mesmo rimar.)
Eram sórdidos planos malignos, fortemente incentivados pelos desenhos "infantis", os quais sempre têm a bruxa malvada que prepara poções mágicas para transformar em lagarta, aqueles que teimam em atrapalhar o seu caminho.
Além de beliscar um primo de colo e fingir que não era eu, tirar meleca do nariz da minha prima e colocar em sua boca, empurrar da cadeira uma abiguinha que queria ficar grudada em mim, injustiçar Joãozinho, enforcar uma coleguinha que não queria me emprestar seu brinquedo e et coetera, vislumbro o auge da minha maldade pueril quando tramei contra Jéssica.

Ela tinha dentes tortos, era loirinha e esquelética. Mas era muito esquelética, tadinha. Ela me fez algo tão ruim, mas tão ruim, que fomentou em mim o desejo de bolar um plano realmente cruel, capaz de eliminá-la, para sempre, da minha vida...
Sabendo-se bem da índole que eu tinha, é bem provável que eu tenha me irritado pelo fato dela não ter levado o biscoito presuntinho que seria recheio do nosso hambúrguer de fandangos que faríamos no recreio. Eram nossas primeiras tentativas de picnic, poxa... Ou, quem sabe, algum garoto bonitchenho por quem eu nutria um amor estava de olho nela. Hum, logo por aquela magricela!

Decidida, então, a por em prática de uma vez por todas tudo o que se passava na minha mente, peguei imediatamente uma bala dura e verde que estava no meu bolso há dias, tirei-a do pRástico e a esfreguei sofregamente no chão. Muito. Até ficar arranhada e preta.
Meus coleguinhas, assustados, perguntavam-me o motivo de tanta convicção em se esfregar uma bala de menta e não, simplesmente, enfiá-la logo na boca. Eu não respondia. Apenas sorria.
Embalei-a cuidadosamente de volta.
Como cresci ouvindo que não devíamos comer nada que estivesse no chão por causa dos micróbios, julguei poder, enfim, matá-la se lhe desse a bala suja.
Procurei a esquelética e ofereci-lhe o doce, tal como a serpente ofereceu a maçã a Eva e Adão. (viva o cacófatooo!)
Talvez por já conhecer bem a mim e os meus planos, ela apenas olhou nos meus olhos e disse que não. Sorte a dela...
Mas, por que ela não aceitou??? E se esse fosse um pedido de "vamos ficar de bEIn?"
Isso só aumentou a minha raiva, que durou mais uns 2 dias.
Ignorei-a em todo esse tempo e já não prestava mais atenção nas aulas, maquinando um plano B.
Como na maioria das minhas relações desfeitas, ela quem correu atrás de mim e voltamos a ser abigas.
Toda a fúria foi embora e deu lugar ao amor e à benevolência.
Cedi.
E retornamos ao mesmo ciclo vicioso de alegrias-discórdias-planos malignos...
Mudamos de escola. Ela sobreviveu a mim.
Mas até hoje, volta e meia, me pego sentindo um súbito desejo de oferecer balas por aí...